Alimentação no primeiro ano de vida

COMER COM SABER...DÁ SAÚDE E FAZ CRESCER!!!

 

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Queridos papás, a alimentação dos vossos filhos pode constituir um dos aspectos que mais interfere com o seu crescimento e desenvolvimento!
Uma alimentação desequilibrada começa a ter os seus efeitos mesmo ainda na vida fetal e, nos primeiros anos de vida. Esta pode ser determinante no futuro!!

 É nas primeiras etapas da vida de uma criança que se começa a adquirir os hábitos alimentares que, posteriormente, serão mais difíceis de alterar. Sendo assim, é importante tentar que o padrão alimentar que se vai adoptar seja à partida saudável, o que poderá em grande parte garantir, no futuro, saúde, um desenvolvimento saudável, um rendimento adequado e um maior bem-estar e qualidade de vida.

  Aleitamento materno

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Durante os primeiros meses de vida, o bebé só ingere leite. É a denominada alimentação láctea exclusiva, que pode ser constituída por leite materno e/ou leite artificial. Nesta fase, o aleitamento materno exclusivo é claramente o mais indicado para o bebé uma vez que é o alimento mais completo para a espécie humana. É o mais adequado não só para o bebé como também para a mãe atendendo aos inúmeros benefícios para ambos.
Recomenda-se a alimentação materna em exclusivo até aos 6 meses de idade do bebé. Quando tal não é possível, iniciamos a introdução de novos alimentos entre os 4 e os 6 meses, pois esta é a idade aconselhada para o bebé começar a habituar-se aos alimentos sólidos. Nesta fase o bebé necessita de mais calorias para manter um correcto desenvolvimento e crescimento. Ao introduzir gradualmente novos alimentos na dieta do bebé, irão treiná-lo a apreciar uma variedade de alimentos que estarão na base de uma dieta equilibrada e da sua saúde futura.

 

 Diversificação alimentar

alimentao_3A partir dos 6 meses, começa uma nova aventura pois, o lactente estará apto a iniciar a diversificação alimentar partindo para uma alimentação semi-sólida e depois sólida com características especiais e diferentes da do adulto.

A maturidade neurológica e a coordenação dos movimentos de deglutição permitem-lhe agora, com segurança, comer à colher. Os primeiros alimentos habitualmente introduzidos são os cereais, a fruta e os vegetais não existindo uma ordem rígida e/ou preferencial de introdução.
Quando se inicia a introdução de novos alimentos, nos primeiros dias, deve-se optar por uma consistência parecida com a do leite e espessar, gradualmente, a consistência do puré ou da papa, de forma a ser melhor a adaptação do bebé aos novos alimentos. O ideal é existir um intervalo de 3 a 6 dias, entre a introdução de dois novos alimentos, para que o bebé aprenda o sabor de cada alimento e para que se possam despistar possíveis reacções alérgicas.

 

 Papas lácteas e não lácteas

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       No que diz respeito às papas, algumas já têm leite adicionado, pelo que devem ser feitas só com água – papas lácteas. Outras são        feitas com o leite artificial que o bebé está a tomar – papas não lácteas. Deverão também ter em atenção que as primeiras papas não devem ter glúten. O glúten só deve ser introduzido na alimentação do seu filho após os 6 meses de idade.

 

 

 

Puré de legumes

O puré de legumes pode, eventualmente, ser o primeiro alimento a ser introduzido, principalmente nos casos de bebés com excesso de peso. Este deve ser simples e, inicialmente, pouco consistente, feito com dois a três alimentos, como sejam, batata, batata doce ou arroz e cenoura, juntando-se depois, com intervalos de 3 a 6 dias, outros legumes como a abóbora (amarela e verde), pimpinela, alface, feijão verde, acelga, brócolos, salsa. Para temperar o puré, utilizem uma colher de chá de azeite em cru (depois de pronto). Não adicionar Sal!

      Fruta

 

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A fruta é habitualmente introduzida entre o 4º e 5º mês, após adaptação à papa e ao puré. As primeiras frutas a oferecer são: maçã, pêra, banana e papaia. Deverão escolher peças de fruta doces e maduras, tendo cuidado de evitar as mais ácidas. A pêra e a maçã, deverá ser cozida até os 6 meses de vida. Frutas como a laranja, tangerina, clementina, limão, kiwi, maracujá, morangos, framboesa, amoras, groselha não devem ser oferecidas ao lactente antes do 9º mês devido ao seu potencial alérgico. No caso de haver história familiar de alergias, a introdução destas frutas deve ser feita após os 12 meses de idade.

Ainda em relação aos frutos secos como o figo, ameixa, damasco e uvas passadas, podem ser introduzidos a partir do 9º mês. Devem ser triturados e sempre que possível demolhá-los para retirar parte do açúcar. Dada a sua riqueza em fibra e de forma a proteger a fragilidade do intestino do lactente, são indicados em pequenas quantidade (1 a 2 unidades). A noz, o amendoim, a amêndoa e o pinhão, por serem alimentos que possam provocar alergias nas crianças mais sensíveis devem ser oferecidos após os 24 meses de idade.

Queridos papás, a aventura continua e, a partir dos 6 meses de idade o vosso filho está pronto para experimentar outros novos alimentos, em particular os que apresentem texturas e sabores diferentes. O apetite do bebé é que deve ditar as regras, não sendo uma boa opção obrigá-lo a comer quando não é da sua vontade. Desde que o seu filho esteja bem de saúde, feliz e mantenha um ritmo de crescimento e de ganho de peso dentro do que é normal, não se devem valorizar em demasia as recusas alimentares.

Caldo de carne

alimentao_8   Quando o vosso filho estiver adaptado à papa e ao puré de legumes podemos introduzir o caldo de carne, feito da seguinte forma:       coze-se a carne magra (sem peles e sem gorduras) com os legumes e retira-se no final (inicialmente não se dá a carne ao bebé). Esta constitui uma etapa de transição para a introdução da carne. Ultrapassada esta fase, a carne é cozida, triturada e dada no puré de legumes.

    

  

Que Carnes dar?

    Deve-se começar pela carne de frango, perú, seguindo-se a de borrego, de coelho, depois vitela e, por último a carne de vaca. A carne de porco só deve ser introduzida após os 12 meses de idade. Deve dar ao seu filho 20 a 25 gramas por dia de carne triturada (2 a 2,5 colheres de sopa rasas).

 

Iogurtes

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O iogurte natural e o queijo podem ser introduzidos entre os 8 e os 10 meses como substitutos de uma refeição láctea. São alimentos de fácil digestão e favorecem a flora intestinal. Os queijos frescos aromatizados, sobremesas lácteas, gelados e natas só devem ser introduzidos após os 24 meses de idade da criança. A partir dos 8 meses podem ser oferecidas ao seu filho duas refeições de puré por dia (uma ao almoço e uma ao jantar).

 

 

 

Autonomia na refeição

 

alimentao_10Dos 9 aos 12 meses é uma fase de grande mudança uma vez que o vosso filho deixa a posição limitada de se sentar para começar a gatinhar ou até mesmo a andar. São tempos de um ganho fantástico de autonomia por parte do lactente que irá adorar esta sua nova situação. É também chegado ao momento de encorajar o seu filho a segurar a colher e a tentar comer... Inicialmente será uma grande confusão mas o que importa é que vá treinando este ritual.
Nesta fase o seu filho poderá já ter alguns dentes e as suas refeições devem ser tomadas preferencialmente numa cadeira de bebé alta e adequada. É também importante introduzir alimentos com texturas mais rijas que sujeitem o vosso filho a mastigar promovendo o desenvolvimento dos dentes e também a vocalização. O bebé poderá apresentar tendência para beber menos leite, uma vez que começa a preferir alimentos sólidos, no entanto, as suas necessidades ainda são importantes, e este deverá ingerir no mínimo 600 ml diários.

 

Peixe

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   Aos 9 meses um novo alimento a ser introduzido é o peixe, tendo o cuidado de retirar as espinhas. O peixe também deverá ser branco   (pescada, espada, maruca, cherne, linguado, pargo) e cozido juntamente com o puré de legumes, numa dose de 20 gramas por dia (2     colheres de sopa rasas), em alternativa à carne. Em casos de tendência familiar alérgica, deve ser iniciada apenas aos 12 meses.
  Devido à menor tolerância e digestibilidade, os mariscos e alguns peixes (atum, cavala) devem ser introduzidos após os 18 meses de     idade. O polvo e as lulas devem ser introduzidos após os 24 meses de idade.

 

 

Ovo

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  A introdução da gema (parte amarela) do ovo deve ser após os 9 meses de idade. Inicia-se, numa primeira vez, por introduzir apenas   ¼ da gema, na segunda ½ gema, na terceira ¾ e na quarta vez a gema inteira. A clara do ovo (parte branca) só deve ser introduzida        aos 12 meses de idade. A gema do ovo é também uma excelente fonte de proteínas mas não deve ser dada mais do que 2 a 3 vezes por   semana. No caso de crianças com história familiar de alergia, o ovo só deve ser introduzido após os 12 – 15 meses de idade.

 

 

 

Leguminosas

alimentao_13Após os 10 meses de idade deverão ser introduzidas as leguminosas, ou seja, o feijão, grão de bico, ervilhas e as lentilhas. Para melhorar a sua digestibilidade, estas deverão ser trituradas e introduzidas gradualmente, em pequenas quantidades na sopa.
No que diz respeito, ao açúcar e ao sal, os alimentos em natureza já tem quantidades suficientes dos mesmos, pelo que não é necessário adicioná-los à alimentação das crianças e quanto mais tarde forem introduzidos melhor. O mel de abelha e de cana, por apresentar um elevado teor de açúcares e pela possibilidade de conter toxinas ou germes perigosos, não são aconselhados durante o primeiro ano de vida. O chocolate também está contra indicado especialmente pela sua difícil digestão.

A partir dos 12 meses de idade o crescimento, apesar de mais lento que no primeiro ano de vida, continua a um ritmo elevado. A criança começa também a mostrar preferência por determinados alimentos e recusa por outros, no entanto, não deverão dar muita importância a essas preferências e oferecer-lhe pratos variados, coloridos e apelativos.
Nesta fase a criança já está preparada para ingerir a alimentação normal da família, no entanto, não podem esquecer que para isso é fundamental que a família tenha um padrão alimentar saudável.

 

Queridos papás, uma alimentação adequada não se ensina às crianças do ponto de vista teórico, ou seja, há que vivê-lo do ponto de vista familiar. As crianças tenderão a imitar os costumes e hábitos dos mais velhos com quem convivem e se os pais têm hábitos errados é difícil pretender que as crianças tenham diferentes.
Aquilo que se come desde pequeninos irá influenciar em muito a Saúde! Lá diz o ditado "é de pequenino que se torce o pepino!"

 

Torne o momento da refeição num momento de prazer e partilhas! Mais que o ingrediente nutritivo é também o nutriente afectivo que ela pode ser!
Resta-me dizer...BOM APETITE!!

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

-Comer com saber... no primeiro ano de vida – Secretaria Regional dos Assuntos Sociais: Direcção Regional de Planeamento e Saúde Pública – ISBN 972-8901-04-2.

- Pim pam pum uma colher a cada um... Alimentação para crianças a partir dos 4 meses. João Breda e Maria Antónia Peças. Julho 2008.

- 1,2,3 uma colher de cada vez – Um guia para crianças dos 4 meses aos 3 anos. Jõão Breda e Maria Antónia Peças. Maio 2004.

 

Paula Freitas   
Enfermeira Especialista em Saúde Infantil  e pediatria   
 
 

 

 

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