Crise Convulsiva

Tipos de crises convulsivas

As crises podem ser parciais ou generalizadas. Nas crises parciais há uma envolvência de apenas uma parte do cérebro e podem progredir para generalizadas. Não há perda de consciência e apenas afeta o órgão controlado por essa parte do cérebro afetado. Poderá haver um período de alteração de comportamento, uma amnésia ou incapacidade de responder a um evento. Poderá haver uma interrupção de atividade, fixação do olhar, desvio dos olhos e da cabeça para um lado ou um comportamento motor repetitivo (Ex: do polegar, do canto da boca, etc. pode evoluir para uma crise generalizada.

Nas crises generalizadas, envolve a totalidade ou quase totalidade do cérebro. Surgem espasmos no corpo ou membros, seguido de perda da força muscular e da consciência fazendo com que a pessoa caia.

Pode ainda nestes casos acontecer que durante a crise generalizada, devido aos tremores intensos e queda da língua, a criança apresente cianose (um tom arroxeado da pele). Isto normalmente acontece se for uma crise mais longa (superior a 5 minutos).

 

Prevenção 

sample.jpg  Mesmo que não haja uma situação patológica, as temperaturas elevadas podem ser responsáveis por   episódios de   crises generalizadas. Como prevenção é fundamental ter sempre um adequado controlo da   febre nas crianças,   sobretudo em crianças até aos 5 anos de idade que é a idade mais frequente para   convulsões febris.

  

sample.jpg  Crianças com historial de crises, poderão ser fatores desencadeantes determinados estímulos   ambientais. Logo, é   importante ter conhecimento desses estímulos de forma a evitá-los. Por ex. como   ruídos intensos, luminosidade   muito intensos, etc. É importante manter a escola informada.

 

 

Porque é importante todos saberem lidar com uma crise convulsiva?

A crise convulsiva costuma ser um momento muito stressante. No entanto, a primeira coisa que deve se ter em mente é que a maioria das crises dura menos que 5 minutos e que a mortalidade durante a crise é baixa. Assim, deve-se manter a calma para que se possa, efetivamente, ajudar a criança, sabendo prevenir lesões durante a crise.

Não há que ter medo durante a crise, nem se precipitar com intervenções desajustadas.

Na escola, há que ter consciência de que a criança ou adolescente tem um percurso escolar igual a qualquer outro.

 

Como intervir numa situação de crise generalizada?

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Algumas medidas protetoras devem ser tomadas no momento da crise:

  • Deitar a criança (caso ela esteja de pé ou sentada), evitando quedas e traumas;
  • Afastar a vítima de lugares perigosos, como áreas com piscina e próximo de objetos cortantes.
  • Mantenha-se calmo e acalme quem assiste à crise
  • Retirar objetos pessoais como óculos, anéis ou colares
  • Alargar as roupas se necessário, em especial as que estão próximo do pescoço
  • Manter a vítima de lado, com a cabeça baixa, para evitar engasgos
  • Coloque qualquer coisa macia debaixo da cabeça, ou ampare-a com a sua mão, impedindo-a de bater no chão ou contra objetos
  • Proteger a boca, observando se a língua não está a ser mordida. Se a criança estiver se sufocando com a própria língua, NUNCA ponha a mão dentro da boca para tentar ajudá-la. Ela pode subitamente contrair violentamente a mandíbula, e feri-lo. O simples ato de girar a cabeça para o lado é suficiente para a língua cair e desobstruir as vias aéreas, além de impedir que a criança se afogue na própria saliva.
  • Não deixe a vítima sozinha, até que volte a respirar normalmente e esteja bem acordada
  • Limpar as secreções salivares, com um pano ou papel, para facilitar a respiração;
  • Observar se a criança consegue respirar;
  • Reduzir estimulação sensorial (diminuir luz, evitar barulho);
  • Permitir que a criança descanse ou até mesmo durma após a crise;
  • Depois de terminada a crise procurar apoio num serviço de saúde.

 

Se possível, após tomar as medidas acima referidas, devem-se anotar os acontecimentos relacionados com a crise, nomeadamente:

  • Início da crise;
  • Duração da crise;
  • Eventos significativos anteriores à crise;
  • Se há incontinência urinária ou fecal (eliminação de fezes ou urina nas roupas);
  • Como são as contrações musculares;
  • Forma de término da crise;
  • Nível de consciência após a crise.

 

Várias medidas erradas são comumente realizadas no socorro de uma criança com crise convulsiva. NÃO DEVE SER FEITO:

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  • NÃO se deve imobilizar os membros (braços e pernas), deve-se deixá-los livres;
  • NÃO tentar balançar a criança;
  • NAO coloque os dedos dentro da boca da criança, involuntariamente ela pode feri-lo;
  • NÃO dar banhos nem usar compressas com álcool, caso haja febre pois há risco de afogamento ou lesão ocular pelo álcool;
  • NÃO medicar, mesmo que tenha os medicamentos, na hora da crise, pela boca. Os reflexos não estão totalmente recuperados, e pode-se afogar ao engolir o comprimido e a água;
  • Nunca jogar água para a cara, nem dar nada para cheirar

Depois de terminada a crise é normal haver sonolência, confusão mental e dores de cabeça. Não dar líquidos ou alimentos sólidos, pois os movimentos podem ainda estar descoordenados.

Procurar apoio num serviço de saúde se a crise durar mais de 5 minutos.

 

Filomena Reis

Vera Pestana

Enfermeiras Especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica

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