Gravidez na Adolescência

Gravidez na Adolescência

 

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    A adolescência é uma etapa na vida marcada por diversas transformações corporais, hormonais e até mesmo comportamentais, sendo então um período de transição entre a infância e a idade adulta. Não se pode definir com exatidão o início e o fim da adolescência (ela varia de pessoa para pessoa), porém, na maioria dos indivíduos, ela ocorre entre os 10 e 20 anos de idade (período definido pela OMS – Organização Mundial da Saúde).

    É uma fase pela qual todos nós passamos e é nela, em especial, que a pessoa começa a tentar descobrir a sua identidade e a definir a sua personalidade. Na tentativa de descobrir a sua identidade, surgem também novas experiências e curiosidade pelo sexo oposto e assim no decurso de uma adolescência dita «normal», situações menos esperadas podem surgir, tais como a gravidez.

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    A gravidez na adolescência é um grande problema de saúde, pois os adolescentes que vivenciam uma gravidez enfrentam invariavelmente um conjunto de obstáculos que incluem o abandono escolar ou encurtamento das perspetivas profissionais, as dificuldades económicas e a rutura familiar, para além de terem de lidar com sentimentos de culpa, baixa auto estima e depressão que por si só poderão contribuir para uma nova gravidez.

   Com poucas informações (embora presumam estar muito informados) e uma vida sexual ativa cada vez mais precoce, muitas adolescentes engravidam numa época da vida em que não estão minimamente preparadas para assumir as responsabilidades de serem mães. Ao se tornarem mães, estas adolescentes acabam colocando de lado uma importante fase do seu desenvolvimento, sem contudo deixarem de ter direito a vivenciarem a sua adolescência.

    Apesar de tudo, a gravidez na adolescência, tal como a gravidez noutra faixa etária qualquer, tem vindo a diminuir. Na Região Autónoma da Madeira, o número de mães adolescentes diminuiu drasticamente entre 2011 e 2012 (a diminuição de parturientes foi de cerca de 40%).

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    Se por um lado, pretendemos que a natalidade aumente, por todos os motivos sócio económicos largamente discutidos, por outro pretendemos sempre que a gravidez na adolescência não aconteça e isto porque na maioria das vezes estas gravidezes são acontecimentos inesperados com fortes consequências na estrutura familiar do jovem casal e na vida dos próprios;

    A OMS considera a Gravidez na Adolescência como uma gravidez de Alto risco, devido às repercussões sobre a saúde da mãe (órgãos em crescimento e não preparados adequadamente para a Maternidade).

     A gravidez na adolescência continua a ser um fenómeno merecedor de atenção e intervenção de forma a diminuir os riscos de saúde nesta faixa etária.

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A existência deste problema passa pela conjugação de múltiplos fatores, dos quais se destacam:

- Relações sexuais precoces (procura cada vez mais direta de excitação e prazer imediatos. Vem havendo uma confusão entre ternura ou carinho e prazer instintivo imediato);

- Não utilização de métodos contracetivos, nos quais se salienta o preservativo;

- Pouca frequência nas consultas de planeamento familiar;

- Relacionamento distante e comunicação pobre com a família.

 

As consequências da gravidez na adolescência são várias, e podem ser físicas, tais como:pé prematuro

- Pré-eclampsia (que se manifesta por hipertensão arterial, edemas, perda de proteínas na urina);

- Atraso de crescimento fetal (por deficiente irrigação placentar);

- Parto pré termo;

- Recém-nascido de baixo peso.

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Podem ser psicológicas, tais como:

- Deceção;

- Abandono da adolescente grávida por parte dos seus familiares;

- Medo / Insegurança, desespero/desorientação;

- Abandono escolar;

- Afastamento do grupo de pares.

 

  Logo, para minimizar este problema, cada vez mais o adolescente terá que procurar viver uma sexualidade/afetividade responsável estando informado sobre as mudanças corporais, métodos contracetivos existentes e serviços de saúde onde se dirigir que serão complementos a toda a educação sexual vivida no ambiente familiar e escolar.

   Para tal,  é fundamental a colaboração e o exemplo de todos os que participam na vida do adolescente, desde profissionais de saúde, professores, toda a sociedade envolvida, mas principalmente a família, que é a base e o espelho do jovem.

 

Cristina Freitas

Especialista em Saúde Materna e Obstétrica

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